NOS CINEMAS

Homem-Aranha: De Volta ao Lar

EM EXIBIÇÃO NOS CINEMAS
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Homem-Aranha: De Volta ao Lar

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O diretor espanhol Juan Antonio Bayona e o ator Tom Holland falam sobre suas experiências ao gravar “O Impossível”, filme baseado em uma história real sobre a experiência de uma família durante o desastre natural de 2004, o tsunami “Boxing Day”. Bayona também explica o porquê ele se esforçou tanto em ter autenticidade, incluindo o uso de água real para capturar a intensidade da devastação, e porque ele está feliz em ter ligação com a família envolvida. Eles falaram diretamente do evento BAFTA em Londres.

 Porque você quis fazer esse filme?

Juan Antonio Bayona: A primeira vez que eu li sobre a história eu estava tão impressionado, e eu lembro de estar com as emoções tão intensas. O produtor, Belen Atienza, não conseguia chegar no fim da história e eu estava exatamente igual quando estava contando para os meus amigos, então eu percebi que tinha alguma coisa ali que ia além do contexto da tragédia e falava sobre a condição humana de uma forma tão brutal, uma forma muito primitiva, e eu queria demonstrar para as pessoas o que aconteceu ali e fazer algo emocional.

Pareceu muito real! Como você realizou os efeitos?

Juan Antonio Bayona: Bom, isso porque foi mesmo real. Por exemplo, nós usamos água de verdade para todas as cenas com água. A água CGI (água falsa) é muito cara. Só para a cena envolvendo o tsunami eles fizeram um orçamento que nós tínhamos para os efeitos visuais do filme inteiro! Então nós falamos “Vai ser com água de verdade!”, mas um dos principais motivos que nós decidimos fazer com água de verdade é porque a água CGI não parece nada real. Esse filme é baseado em uma história real, então tem que parecer real! Nós não queríamos fazer um show de CGI no meio da atuação. Então nós fomos com coisas reais, o que também foi loucura, uma ideia louca porque isso significa que nós passamos um ano em desenvolvimento com alguns membros da equipe e gravamos por um mês. De fato, a Naomi (Watts) e o Tom (Holland) passaram seis semanas na água.

Como você se sentiu sobre gravar na água Tom?

Tom Holland: Eu tinha 13 anos na época então era como ter o seu próprio parque aquático! Eu estava amarrado em fios e estava sendo jogado para os lados. Eu estava aprendendo a mergulhar. Era um ambiente muito real. Os detritos batiam nos nossos rostos… foi muito real o sentimento, então nós podíamos usar para beneficiar a nossa performance em cena. E eles nos davam frases grandes para falar e depois de duas execuções da máquina de água nós percebíamos que não íamos conseguir falar nada, porque sempre que você abria a boca você engolia muita água. Então tudo o que você vê no filme é bem real.

Juan, a quão envolvida estava a família real?

Juan Antonio Bayona: Nós trabalhamos muito próximos deles, especialmente da Maria, que estava bem envolvida no script. Ela nos deu histórias extraordinariamente detalhadas. O nível dos detalhes… “O Impossível” é um filme que você é preso pelas grandes e importantes ideias e acaba perdendo de vista as pequenas e importantes histórias. Mas eu amo detalhes… A narrativa é muito sobre detalhes e ela estava trabalhando conosco. Foi bom. Ela foi ao set várias vezes enquanto estávamos gravando. Eles viram o filme assim que tivemos o primeiro corte. Nós estávamos bem nervosos, mas deixamos eles sozinhos durante a triagem, depois eles saíram e estavam muito orgulhos em ter esse filme feito. Quero dizer, não foi fácil para eles em decidir fazer esse filme porque eles ainda estavam lidando com a culpa por terem sobrevivido. Mas esse é um dos pontos mais fortes do filme para mim… Ele não é muito sobre quantas pessoas sobreviveram e sim sobre o sofrimento em sobreviver. Eu lembro quando estava falando sobre o “O Orfanato” (filme), e amava a contradição sobre o quanto sofrimento você pode achar na esperança. Então esse filme é também uma contradição no quanto sofrimento você pode achar na sobrevivência.

 Tom você chegou a conhecer o seu homólogo da vida real?

Tom Holland: De início não porque eu estava sempre perdendo tempo na piscina com os meus irmãos. Mas daí eu fui apresentado a ele e eu congelei… eu estava muito consciente sobre não cruzar a linha e não fazer perguntas, mas ele se abriu e explicou cada detalhe da história como ninguém pode porque foi ele que passou por isso! Ele estava sempre no set, sempre que eu tinha uma pergunta ele respondia do melhor jeito possível. Ele nunca me interrompeu e disse “Isso é muito íntimo para mim, não sei se consigo compartilhar.”, ele estava sempre compartilhando. Foi incrível. Agora ele está treinando para ser médico e é incrível como em 2004 ele estava salvando vidas e ele vai poder salvar mais vidas ainda no futuro. Eu acho que é o final perfeito para essa história.

Vocês gravaram em vários lugares reais, não gravaram? Por exemplo, o Ewan (McGregor) permaneceu mesmo na piscina quando o tsunami o atingiu…

Juan Antonio Bayona: Sim, tinha que ser daquele jeito. Ewan está certo sobre isso, esse não é um filme sobre heróis, é um filme que se trata de fé, é sobre ser sortudo. Quando você começa a pesquisar, você percebe que você está usando aquela família como símbolo do que aconteceu. Você não pode colocar ações heroicas porque não seria justo com as pessoas que morreram. Tudo isso se trata de destino. Então, permanecer naquela piscina faz você perceber que se talvez você estivesse dois metros para a direita você poderia ter tido um destino totalmente diferente. Nós queríamos manter as mesmas posições da família quando a água os atingiu, então nós os colocamos na mesma posição daquele momento. Mas tinha alguma coisa heroica no jeito como eles se comportaram. Eles não fizeram nada para ter mérito em sua sobrevivência. Mas eu acho que o que me fez mesmo querer fazer esse filme foi quando a Maria resolveu resgatar o garotinho. Quero dizer, essa mulher e seu filho estavam em busca de abrigo, e ela sabia que estava quase morrendo porque afinal ela é médica. E naquele momento ela ainda decidiu o que talvez seria a última escolha de sua vida. É verdade que você não consegue controlar a vida, mas você pode controlar as suas decisões, e o que essa mulher decidiu foi dar uma lição para o seu filho sobre o que seria o certo a fazer. E isso, para mim, foi algo muito emocional e heroico.

Tom como foi trabalhar com a Naomi?

Tom Holland: Ela foi uma figura materna para mim, tanto no set quanto fora do set, ela me ensinou muito. Eu acho que o que é incrível sobre a Naomi é o fato de quando ela não está gravando ela está dando o máximo para poder te ajudar. Isso traz o sentimento de que éramos um time. Foi uma experiência marcante para mim e eu aprendi muito, eu fui até a curva mais íngreme do aprendizado, algo que ninguém conseguiu chegar. Foi incrível.

Fonte: IndieLondon | Tradução e RevisãoTHBR.