NOS CINEMAS

Homem-Aranha: De Volta ao Lar

EM EXIBIÇÃO NOS CINEMAS
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Homem-Aranha: De Volta ao Lar

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HQ:


Apesar de estar inseguro, com o apoio de sua família, Peter inicialmente ficou do lado de seu mentor Homem de Ferro em apoio ao registro de super-heróis, já que ele sentia que os heróis necessitavam obter o apoio público para suas ações. Muitos dos heróis desse lado possuíam identidades públicas, com ele sendo o único grande apoiador sem uma, após o desmascaramento do Homem de Ferro. O Homem de Ferro também o convenceu que era uma coisa positiva se desmascarar, caso eles quisessem ganhar apoio. Ele planejou liquidar seus bens e fugir do país no caso de seu desmascaramento causar problemas, mas sua família ficou contra isso, acreditando que Peter precisava obter o reconhecimento de suas ações. Com o Homem de Ferro ao seu lado, numa conferência de imprensa ao vivo em Washington, D.C., Peter se desmascarou e disse: “Meu nome é Peter Parker, e eu tenho sido o Homem-Aranha desde que eu tinha 15 anos“. Por ter ficado com os heróis pró-registro, ele também ganhou a armadura “Aranha de Ferro”, a qual Stark vinha construindo desde a morte e ressurreição de Peter. A reação ao seu desmascaramento foi diversificada. Entre os com reação negativa estava Jameson (o qual desmaiou ao assitir a transmissão, e começou a “repudiar” Peter, tendo visto ele como um filho ao longo dos anos) e Liz Allan (a qual culpou Peter por causar tanto sofrimento em suas vidas).

No entanto, a luta contra os heróis fugitivos, a existência do Clone de Thor e uma prisão para os heróis não registrados na Zona Negativa criada pelo Homem de Ferro deixou Peter com um mau pressentimento, e ele até mesmo descobriu que o Homem de Ferro estava o rastreando a armadura Aranha de Ferro. Isso fez com que ele tirasse a Tia May e MJ para fora da Torre e as escondesse. Ele confrontou Stark, o qual rapidamente sobrepôs o comando da sua armadura, mas Peter então sobrepôs o comando de Star e escapou. Em retaliação, Maria Hill enviou o Thunderbolts pró-registro, um grupo de vilões registrados, atrás dele. Durante a perseguição através dos esgotos, ele é atacado pelo Polichinelo e Halloween. Eles espancaram o Homem-Aranha, mas antes que eles pudessem capturá-lo, o Justiceiro os matou e levou Peter para o esconderijo dos Vingadores Secretos. Depois de ingressar na equipe e se reunir com sua esposa e tia, o Homem-Aranha interrompeu um noticiário, anunciando o seu erro de ter se registrado, dando sua fidelidade aos anti-registro e dando uma descrição da prisão na Zona Negativa. O Homem-Aranha foi um dos poucos heróis que não aceitaram a amnistia geral após a prisão e morte do Capitão América, continuando a trabalhar com os Novos Vingadores no subterrâneo.

Peter ficou muito afetado pela morte do Capitão América, até mesmo se culpando pela morte dele, apesar de não estar presente no momento do disparo. Depois de um encontro com Rino e receber as condolências de Wolverine, o Homem-Aranha assistiu o funeral do Capitão na TV com os Novos Vingadores. Quando a equipe discutiu por que eles não foram no enterro, o Homem-Aranha disse que eles não podiam arriscar ser presos por Tony Stark no local.


MCU:


Nosso mais novo Homem-Aranha, como introduzido em ‘Capitão América: Guerra Civil’, tem apenas quinze anos de idade. Foque nisso por um momento. Ele tem quinze anos. Uma década e meia de idade. Ele nem ao menos nasceu no século XX, o que é uma espécie de inovação para o Universo Cinematográfico da Marvel.

É animador porque nenhum dos Homens-Aranha anteriormente adaptados para o cinema tinham verdadeiramente um visual de adolescente (principalmente porque foram interpretados por adultos). E será ótimo para o público atual de crianças, que podem ver Peter em diferentes interpretações. Mas a parte mais legal? Esse Homem-Aranha cresceu em uma época repleta de super-heróis – e isso obriga a moldar sua visão de mundo de um modo que os outros filmes nunca puderam fazer antes.

Vamos pôr tudo isso em perspectiva: Peter Parker provavelmente nasceu no ano 2000. Isso significa que ele mal era uma criança quando o World Trade Center foi atingido em 11 de setembro, tornando esse evento menos impactante para ele do que foi para aqueles do século XX. Nós sabemos que o MCU teve um conceito de super-heróis, de alguma forma ou de outra, antes da explosão – o Capitão América foi revelado após a Segunda Guerra Mundial como um grande super-soldado, e o Homem-Formiga é supostamente um herói na Guerra Fria, ainda que ninguém tenha achado provas. Então não era impossível conceber super-pessoas, mesmo se eles não tivessem muito a ver com a vida cotidiana atual.

Os filmes do MCU existiram em grande parte em tempo real – significando que seja qual for o período de tempo que passou entre os filmes, o mesmo período se passou dentro deste Universo. Ao chegarmos aos eventos de ‘Capitão América: Guerra Civil’, temos que os Vingadores têm sido um time conhecido por quatro anos. Isso também significa que Peter Parker tinha oito anos de idade quando Tony Stark disse ao mundo que ele era o Homem de Ferro, em 2008. E que, cerca de um mês depois, o Hulk e o Abominável estraçalharam Harlem, um bairro localizado no distrito de Manhattan, ficando à distância de uma simples viagem de metrô da casa do Peter em Queens. (Supondo grosseiramente que ele viveu no Queens durante toda sua vida, até que seja dito algo diferente, pois é possível que seus pais morassem perto de May e Ben antes de morrerem.) E então, quando Peter tinha 12 anos, ele olhou pela janela de seu prédio, e viu explosões e criaturas voadoras estranhas em Manhattan. A Batalha de Nova York poderia ter sido iminente para ele, e para todos que ele conhecia.

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Isso significa que Peter Parker cresceu em um mundo no qual pessoas com super-poderes estiveram sempre ao redor. Além disso, ele cresceu em um mundo no qual mais dessas pessoas estão se revelando a cada dia. Esses são os heróis da geração dele. Ao invés de intermináveis transmissões ficcionais midiáticas sobre super-heróis, sua geração está crescendo tendo isso como realidade, e provavelmente são tão obcecados como os fãs que estão no “nosso lado da cerca”. Crianças vagam pelos corredores da escola com mochilas no formato do escudo do Capitão América, enfeitando seus armários com fotos dos Vingadores tiradas por paparazzis, se fantasiando no Halloween como seu membro favorito da equipe. Adultos frequentam grupos na internet para criar teorias sobre como o Mjolnir funciona, têm tatuagens da “ampulheta” da Viúva Negra e da silhueta do Hulk, e enviam currículos para qualquer vaga aberta nas Indústrias Stark “só pra garantir”.

Essa é parte da razão do porquê o encontro entre Peter e Tony Stark no meio de ‘Guerra Civil’ funciona tão bem – Peter está claramente e completamente familiarizado com Tony, e não apenas por ele ser um engenheiro famoso e companheiro de “nerdice tecnológica”. Peter conhece o Homem de Ferro. Ele tem estado presente por metade da vida desse garoto.

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Com isso em mente, a decisão de Peter de se tornar o Homem-Aranha após o surgimento de seus poderes não decorre simplesmente da história de sua origem – é uma atitude lógica. (Especialmente ao considerarmos sua citação no filme: “Quando você consegue fazer as coisas que consigo e você nada faz, a culpa é sua”.) O que mais ele faria com suas habilidades quando ele tem um monte de exemplos para seguir? E isso acontece antes mesmo do Tony Stark aparecer na sua porta e se voluntariar a tornar sua persona algo mais oficial através de upgrades, a exemplo de um novo uniforme e sua própria logo.

Claro, Peter Parker ser tão jovem significa que suas visões culturais são bem diferentes das de seus companheiros de combate ao mal. O que gera uma questão interessante: Em um mundo onde super-heróis fazem parte da realidade, a que tipos de mídia de massa as crianças estão submetidas?

O comentário do Homem-Aranha sobre ‘O Império Contra-Ataca’ ser um filme realmente “velho” deixa claro que Star Wars não está de fato em seu radar de modo considerável. (Isso faz bastante sentido, mesmo com o recente lançamento de ‘O Despertar da Força’; pela linha de tempo do Peter, ele recebeu seus poderes por volta de novembro de 2015, tornando altamente improvável que ele tenha tido tempo ou ímpeto, por volta de dezembro, de ir assistir ao Episódio VII nos cinemas.) Há outras grandes propriedades e empresas se transformando em ‘blockbusters’ atualmente – Star Trek, Velozes e Furiosos, filmes da Disney e da Pixar, James Bond e Harry Potter. Mas nada preenche a grande lacuna deixada pelo influxo da mídia de super-heróis que temos visto no século 21 até agora.

Nós não podemos presumir que outras empresas com a mesma temática da Marvel têm impacto nesse universo, já que as chances de seus personagens sequer serem mencionados são escassas (por certas razões), o que basicamente é sinônimo de não existir. Outras propriedades da Marvel que não se aplicam à continuidade do MCU (O Quarteto Fantástico, X-Men, Deadpool) não podem existir como ficção porque a Marvel vai querer que as portas continuem abertas para acordos e reaquisição dos direitos, especialmente agora que isso já se mostrou vantajoso no caso do Homem-Aranha.

Sabemos que os próprios quadrinhos eram populares no MCU durante o mandato do Capitão América – uma série exibindo uma versão fictícia de Steve Rogers foi produzida durante a Segunda Guerra Mundial, e também um programa de rádio, por isso é provável que a mídia dos super-heróis tenha evoluído a partir daí. Talvez eles tenham algumas figuras comparáveis, mas elas não parecem suficientemente populares para serem predominante na cultura em geral. Tony Stark é famoso o suficiente para ser assunto de biografias e afins, o que sabemos graças à escalação de (spoiler) Nathan Fillion como Magnum/ator Simon Williams em ‘Guardiões da Galáxia Vol. 2’. É bem possível (provável, até) que há diretores de filmes se esforçando pela chance de adaptar as batalhas dos Vingadores para filmes ou séries, mas isso cria um clima totalmente diferente porque tudo seria “Baseado em Fatos Reais”. Catártico para alguns telespectadores, informativo ou ilusório para outros, e grosseiramente inadequado para uma terceira parte deles.

Todas essas possibilidades levam a uma paisagem diferente da cultura pop para Peter e seus contemporâneos. Isso sem se perguntar o quanto a tecnologia Stark fica acessível ao público a cada ano que se passa – se essas crianças podem comprar smarthphones Stark nas mesmas lojas que vendem os mais recentes dos iPhones, o cenário é totalmente diferente do nosso. (Uma cena deletada de Os Vingadores mostrou visões de telas e interfaces das ruas de Nova York que tinham o visual da tecnologia Stark, sugerindo que as Indústrias Stark podem ter um lado comercial que fornece utensílios para o cotidiano.) Nesse mundo: Estão essas crianças crescendo em uma realidade virtual? O que falar sobre um possível aplicativo terapêutico do Tony Stark – ele será uma ajuda usada por conselheiros na escola do Peter? Que tipos de grupos (de conspiração, por exemplo) foram desenvolvidos como resultado da exposição a aliens, deuses e monstros? Existe um mercado negro para drogas falsas que prometem transformar alguém em um super-soldado, e as crianças tentariam pôr as mãos nelas?

Há também o incômodo fato de que ocorrem invasões frequentes de forças vindo para a Terra e explodindo coisas. Quando você determina o cenário global atual como um campo-minado de inimigos desconhecidos e líderes mundiais que realmente consideram atacar Nova York com armas nucleares como um meio de conter um ataque, os problemas individuais parecem bobagens. E é quando você percebe…

…que o que essas pessoas poderiam realmente ter de útil em suas vidas é o amigão da vizinhança, Homem-Aranha.

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Nesse contexto, o cabeça-de-teia se torna um tipo diferente de símbolo desde o seu início. Peter Parker pode ter se tornado o Homem-Aranha por causa da morte de seu tio, mas essa escolha traz ainda mais peso ligado a ela, já que o cenário no qual ele está se expondo precisa de ainda mais pessoas como ele – isto é, mais heróis que estão dispostos a trabalhar em prol da população. Esse mundo está mudando tão rápido que a presença de um guardião que se importa com motoristas bêbados e laptops roubados tem potencial de ser mais próximo de um porto seguro que a do Capitão América ou do Homem de Ferro.

Tony Stark parece concordar, de certa maneira. Ele não entrega seus super-trajes feitos à mão para qualquer um, afinal.

Fonte: Wiki Marvel, Marvel Comics e THBR.